segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

A importância da literatura portuguesa...

 
Promover a literatura portuguesa

por Eugénio Lisboa



 Os estrangeiros estão a “descobrir” que Lisboa é uma bela e atraente cidade e que Portugal e os portugueses são um destino turístico especialmente aprazível e amistoso. Julgo que teríamos a obrigação, que até seria vantajosa, de alargar o nosso conceito de turismo para áreas que transcendem a boa culinária, o bom vinho, o bom sol, algum fado e o bom feitio dos lusíadas. Há todo um setor – o turismo cultural – que conviria ser profundamente trabalhado, cavalgando esta onda de simpatia de que Portugal, de momento, desfruta.

O valor do turismo cultural, com circuitos turísticos organizados tematicamente e envolvendo, por exemplo, a Lisboa de Fernando Pessoa ou de Eça de Queirós ou a Trás-os-Montes de Miguel Torga ou de Teixeira de Pascoaes, entre muitos outros que não custa muito congeminar – é incontestável. Este turismo cultural visa uma fatia especial de turistas: é um turismo que fixa mais profundamente o turista à nossa terra e à nossa cultura e o torna, eventualmente, um frequentador mais assíduo e persistente do nosso país. A este turista, seria propiciada sempre a aquisição, na sua língua, de obras literárias ou de outra natureza, para as quais se sentiria seduzido pelo próprio interesse que encontra nos sítios, nos monumentos, nas pessoas. E nem seria muito de admirar que esta espécie de conquistado novo amigo da nossa terra e da nossa cultura acabasse por desejar aprender a nossa língua, não só para melhor comunicação, mas também para um contacto mais direto – sem o intermediário da tradução – e mais eficaz com a nossa literatura e cultura.
Há hoje, em Portugal, alguns bons especialistas em turismo cultural e não seria difícil aos nossos serviços de turismo, com o apoio de tais especialistas, organizar bons e apelativos circuitos culturais que vendessem aos turistas interessados. Seria um bom e duradouro investimento e a captação de amigos permanentes de Portugal.
E, por falar na aprendizagem da língua, venho agora ao meu segundo tópico: precisamente, o ensino da língua portuguesa. Falámos atrás na propiciação de traduções de obras de bons autores portugueses, destinadas aos utentes dos circuitos culturais centrados na figura dos autores traduzidos. É uma primeira aproximação à nossa literatura, esta que se faz por intermédio de traduções. Mas não chega a ser muito satisfatória. Nenhuma obra traduzida – sobretudo se for de um grande escritor – dá nunca medida justa do talento ou do génio desse escritor. Fernando Pessoa traduzido não é Fernando Pessoa: é apenas uma pálida alusão ao grande poeta. Eça de Queirós traduzido perde grande parte do fulgor, da picante maldade, da mordedura do estilo, que se patenteiam nos seus romances admiráveis.
Com a poesia é talvez muito pior do que com a prosa. Dizia o poeta sul-africano Roy Campbell que poesia é aquilo que fica de fora, quando se traduz um poema. Isto é: a tradução de poesia propicia tudo … menos poesia. Dificilmente concebo O’Neill, Herberto Helder ou Sophia em traduções que transmitam, mais ou menos intacto, o fulgor do original. Toda a tradução é mais ou menos infiel. Dá tudo menos o essencial. Não concebo, facilmente, uma boa e eficaz tradução de A Confissão de Lúcio, de Sá-Carneiro, para dar só mais um exemplo de versão de extrema dificuldade. Portanto, o nosso objetivo último deve ser convencer os estrangeiros a lerem os nossos poetas, os nossos ficcionistas, os nossos dramaturgos, na língua original deles, que é o português. Se quisermos que o seu génio seja realmente apreciado, só há, em última análise, uma via: promover que o maior número de estrangeiros estudem a nossa língua.

No dia em que pudermos oferecer percursos culturais fortes, apoiados em obras aliciantes que o turista estrangeiro possa manusear na sua frescura original, estaremos a percorrer um bom e seguro caminho. Não se fará em dias, em meses, em poucos anos. Será uma longa conquista. Mas é o caminho. Portugal está na moda: saibamos aproveitar a ocasião para começar a vender, de par com outras capitosas iguarias, a língua portuguesa, veículo essencial para uma melhor aproximação à literatura e à cultura.

(texto adaptado,  extraído de https://visao.sapo.pt/jornaldeletras/letras/2018-04-13-promover-a-literatura-portuguesa/)


1 comentário:

  1. Camilo Castelo Branco nasceu em 1825 filho de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco e de Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira. Torna-se órfão de mãe aos 2 e órfão de pai aos 10, Camilo vai viver com a sua tia Rita e mais tarde com a sua irmã mais velha.
    Com 16 anos Camilo tem o seu primeiro casamento com Joaquina Pereira onde tem a sua primeira filha onde acaba por abandonar ambas.
    Camilo vai para a universidade do porto tirar medicina mas acaba por reprovar, depois disto tem um caso com uma jovem a Patricia ,a sua prima, onde se leva ao público um possível caso de adultério, a primeira esposa e filha de Camilo morrem o que faz ele casar-se com Patrícia onde tem outra filha 2 anos depois ele encontra-se pela a primeira vez com Ana Plácido que iria se casar com um comerciante rico do Brasil por um casamento de conveniência.
    Camilo tenta encontrar a salvação em Deus e vai para um seminário onde é expulso depois de ter um caso com uma freira. 8 anos depois ele reencontra-se com Ana Plácido onde se torna seu amante e ambos são presos por adultério em 1861. Na prisão escreve Amor de Perdição, a sua obra mais célebre em apenas 15 dias.
    Depois de sair da prisão a vida de Camilo torna-se num acúmulo de perdas Camilo casa-se com Ana Plácido tendo 2 filhos problemáticos mentalmente e fisicamente onde um destes filhos sendo um arruaceiro pondo-se em dívidas que faz Camilo vender a sua biblioteca pessoal para quitar as dívidas do filho e mais tarde contraiu Sífilis.
    Em 1890 a Sífilis faz a sua cegueira irreversível o que leva Camilo ao suícidio.

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