sábado, 11 de março de 2023

Qual o poder de uma carta aberta para o mundo?

 

Em Amor de Perdição as Cartas são um género discursivo fulcral.  Simão e Teresa encontram na Carta uma estratégia de diálogo escrito para partilhar os seus sentimentos, uma forma de recusa da limitação social que os impedia de estar juntos. Há nelas uma subjetividade intensa e uma confessionalidade muito forte. 
Mas as cartas são também um documento atestando a relação entre duas pessoas. O narrador de Amor de Perdição apoia-se nas cartas para contar a história, sublinhando assim a sua suposta veracidade. 

A Carta é, de facto, um género literário muito versátil capaz de cumprir múltiplas funcionalidades.

As Novas Cartas Portuguesas foram um grito de revolta contra a opressão das mulheres na ditadura salazarista e ainda hoje são polémicas....

As Cartas da Guerra são relatos sofridos daqueles que abandonaram o seu país, empurrados para uma guerra difícil de compreender. 

Seja qual for a sua função, a carta  é sempre uma tomada de posição. É o que acontece com a CARTA ABERTA. 

Acede ao padlet e descobre informações sobre como vais fazer a tua CARTA ABERTA.

Criado com o Padlet

Cartas de Guerra - Bárbara Tinoco

 


Cartas da Guerra

 Realizado por IVO LUCAS, o filme Cartas da Guerra narra a história de António, um jovem médico que em 1971   parte para a guerra colonial. Durante esse período comunica com a mulher amada através de longas cartas. 


Com argumento de Ivo M. Ferreira e Edgar Medina, tem como base a obra D'este viver aqui neste papel descripto: Cartas da guerra do autor António Lobo Antunes.

"As cartas deste livro foram escritas por um homem de 28 anos na privacidade da sua relação com a mulher, isolado de tudo e todos durante dois anos de guerra colonial em Angola, sem pensar que algum dia viriam a ser lidas por mais alguém. Não vamos aqui descrever o que são essas cartas: cada pessoa irá lê-las de forma diferente, seguramente distinta da nossa. Mas qualquer que seja a abordagem, literária, biográfica, documento de guerra ou história de amor, sabemos que é extraordinária em todos esses aspectos."

do Prefácio de Maria José Lobo Antunes e Joana Lobo Antunes



Novas Cartas Portuguesas




Um único livro pode ter um efeito poderoso e este, o que foi escrito em conjunto por três destemidas portuguesas antes do 25 de Abril, provocou um escândalo no teu país e fora dele. 


Porquê? Porque defendia os direitos das mulheres e denunciava um sistema político e social decrépito, que as oprimia. 

As autoras foram perseguidas, o livro proibido, porém a ditadura não contava que o caso desse origem a um movimento de solidariedade internacional. Ainda hoje, o mesmo livro, continua a ser estudado e a despertar jovens para o feminismo. 

 O nome do livro? Novas Cartas Portuguesas. 

As autoras? Para abreviar, dizemos-te que são as Três Marias. Tens a história aqui.

Volta ao Mundo em Cem Livros: Novas Cartas Portuguesas - Três Marias - Volta ao Mundo em Cem Livros é uma viagem no espaço e no tempo, apresentado por Alexandra Lucas Coelho. Ob

RTP Ensina

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Camilo Castelo Branco e o Amor de Perdição



Olá!

Camilo Castelo Branco foi um dos maiores escritores portugueses do século XIX.

A casa onde viveu com Ana Plácido, em S. Miguel de Seide, transformada em Casa-Museu desde 1954, é a Casa-Museu mais visitada do país.

Amor de Perdição foi a novela mais célebre de Camilo Castelo Branco, sendo-lhe reconhecido um forte pendor autobiográfico. Consequentemente, é importante conhecer a vida de Camilo para melhor compreender o universo ficcional desta importante narrativa.

Assiste ao programa Ler Mais, Ler Melhor sobre este local místico e simbólico e inicia a tua recolha de informação sobre este tema.


Com base neste programa e em outros documentários visualizados na sala de aula, elabora uma nota biográfica sobre este autor (cerca de 100 palavras), destacando acontecimentos relevantes para a compreensão de Amor de Perdição. 

Coloca a tua nota biográfica como comentário a este post. Comenta o trabalho de um dos teus colegas. 


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

A importância da literatura portuguesa...

 
Promover a literatura portuguesa

por Eugénio Lisboa



 Os estrangeiros estão a “descobrir” que Lisboa é uma bela e atraente cidade e que Portugal e os portugueses são um destino turístico especialmente aprazível e amistoso. Julgo que teríamos a obrigação, que até seria vantajosa, de alargar o nosso conceito de turismo para áreas que transcendem a boa culinária, o bom vinho, o bom sol, algum fado e o bom feitio dos lusíadas. Há todo um setor – o turismo cultural – que conviria ser profundamente trabalhado, cavalgando esta onda de simpatia de que Portugal, de momento, desfruta.

O valor do turismo cultural, com circuitos turísticos organizados tematicamente e envolvendo, por exemplo, a Lisboa de Fernando Pessoa ou de Eça de Queirós ou a Trás-os-Montes de Miguel Torga ou de Teixeira de Pascoaes, entre muitos outros que não custa muito congeminar – é incontestável. Este turismo cultural visa uma fatia especial de turistas: é um turismo que fixa mais profundamente o turista à nossa terra e à nossa cultura e o torna, eventualmente, um frequentador mais assíduo e persistente do nosso país. A este turista, seria propiciada sempre a aquisição, na sua língua, de obras literárias ou de outra natureza, para as quais se sentiria seduzido pelo próprio interesse que encontra nos sítios, nos monumentos, nas pessoas. E nem seria muito de admirar que esta espécie de conquistado novo amigo da nossa terra e da nossa cultura acabasse por desejar aprender a nossa língua, não só para melhor comunicação, mas também para um contacto mais direto – sem o intermediário da tradução – e mais eficaz com a nossa literatura e cultura.
Há hoje, em Portugal, alguns bons especialistas em turismo cultural e não seria difícil aos nossos serviços de turismo, com o apoio de tais especialistas, organizar bons e apelativos circuitos culturais que vendessem aos turistas interessados. Seria um bom e duradouro investimento e a captação de amigos permanentes de Portugal.
E, por falar na aprendizagem da língua, venho agora ao meu segundo tópico: precisamente, o ensino da língua portuguesa. Falámos atrás na propiciação de traduções de obras de bons autores portugueses, destinadas aos utentes dos circuitos culturais centrados na figura dos autores traduzidos. É uma primeira aproximação à nossa literatura, esta que se faz por intermédio de traduções. Mas não chega a ser muito satisfatória. Nenhuma obra traduzida – sobretudo se for de um grande escritor – dá nunca medida justa do talento ou do génio desse escritor. Fernando Pessoa traduzido não é Fernando Pessoa: é apenas uma pálida alusão ao grande poeta. Eça de Queirós traduzido perde grande parte do fulgor, da picante maldade, da mordedura do estilo, que se patenteiam nos seus romances admiráveis.
Com a poesia é talvez muito pior do que com a prosa. Dizia o poeta sul-africano Roy Campbell que poesia é aquilo que fica de fora, quando se traduz um poema. Isto é: a tradução de poesia propicia tudo … menos poesia. Dificilmente concebo O’Neill, Herberto Helder ou Sophia em traduções que transmitam, mais ou menos intacto, o fulgor do original. Toda a tradução é mais ou menos infiel. Dá tudo menos o essencial. Não concebo, facilmente, uma boa e eficaz tradução de A Confissão de Lúcio, de Sá-Carneiro, para dar só mais um exemplo de versão de extrema dificuldade. Portanto, o nosso objetivo último deve ser convencer os estrangeiros a lerem os nossos poetas, os nossos ficcionistas, os nossos dramaturgos, na língua original deles, que é o português. Se quisermos que o seu génio seja realmente apreciado, só há, em última análise, uma via: promover que o maior número de estrangeiros estudem a nossa língua.

No dia em que pudermos oferecer percursos culturais fortes, apoiados em obras aliciantes que o turista estrangeiro possa manusear na sua frescura original, estaremos a percorrer um bom e seguro caminho. Não se fará em dias, em meses, em poucos anos. Será uma longa conquista. Mas é o caminho. Portugal está na moda: saibamos aproveitar a ocasião para começar a vender, de par com outras capitosas iguarias, a língua portuguesa, veículo essencial para uma melhor aproximação à literatura e à cultura.

(texto adaptado,  extraído de https://visao.sapo.pt/jornaldeletras/letras/2018-04-13-promover-a-literatura-portuguesa/)